Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sem Abrigo

(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Na rua estreita
na rua escura
a lua espreita
toda brancura...

Vou pela noite
num tremedouro
frio é açoite
chuva é um choro

Alma descalça
corpo transido
Para quem passa
sopro é gemido

Mágoa sem nome
em cada porta
morro de fome
mas não estou morta

Quando chegar
a madrugada
volta a cantar
a passarada

E eu, então
volto a nascer
O sol na mão
vai-me aquecer!

Maria Helena Amaro
janeiro, 2009

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Carta



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Ondes estás,......, por onde andas
por que zonas de sombra te deterás?
Por que sítios, por que ruas, por que bandas,
que nada sei de ti e dos teus bens...

Os males estão comigo nesta hora...
- é o mais só que a solidão contém -
Mágoa vai... mágoa é... e mágoa vem...
E o desalento já não vai embora!

Ai que saudades da nossa meninice,
em que amar e desamar era ventura,
em que o riso e o choro eram amigos...

Esquecer é bom... Mas quem o disse?
Na minha alma há restos de ternura
e são bem teus os meus risos antigos!

Maria Helena Amaro
Inédito, janeiro 2009


 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Sagarrito


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Sou filho duma peixeira
sou filho dum pescador
o meu lar foi a traineira
o mar f (é) o meu Amor!

Onda vem... e onda vai
onda vai e onda vem
Lá corro atrás do meu pai
e da saia da minha mãe!

A nuvem p´rá mim é Sol
O sol é brasa que arde
Procuro a Luz do Farol
quando surge a tempestade

Tenho cieiro na boca
tenho frio no nariz
Procuro o cheiro da doca
que me torna tão feliz!

Maria Helena Amaro
Inédito, janeiro, 2009

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Guiomar

















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Guiomar
vai no mar
rosto de cor
riso em flor
ver seu amor
a mergulhar...

Guiomar
não vai nadar
vai só ver
o seu amor
na espuma do mar
no seu batel
a navegar...

Ai, Guiomar
se não fosse o luar
a reparar
no seu rosto de cor
entregava sem pensar
o seu rubor...

Mas Guiomar
foi ao mar
com seus olhos de menina
fez do mar
a sua sina
e do João
seu amor,
o acaso
a neblina
que a prendeu
que a prende
nesse verão que não morreu
lá na praia de Esposende.

Maria Helena Amaro
Inédito, janeiro, 2009

domingo, 4 de novembro de 2012

Prece (Tono)

(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Senhora da Saúde
Senhora da Soledade
Senhora da minha dor
e da minha verdade.
Senhor dos Aflitos
Senhor do Bom Jesus
Dos meus sonhos bonitos
cheios de cor e luz...
Senhora dos lamentos
de trajectos tão vários
dos grandes sofrimentos
das Cruzes dos Calvários
Da noite que se vai
perdido na altura
do Sol que há de nascer
pejado de amargura...
Senhora das Esperas
que esperou Jesus
eu espero e não quero
o arrastar da Cruz.
Senhora da Esperança
com rosto de mulher
em olhos de criança
aceita o meu sofrer...
 
Maria Helena Amaro
Inédito, janeiro de 2009.

sábado, 3 de novembro de 2012

O Amor

 
 
 
 
 
 
 
 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)


O Amor
às vezes
é só uma flor
que nasce
cresce
floresce...
Um dia
quando o Sol aquece
enrubesce
fenece
falece
esquece...
Amor assim
ninguém merece
porque o Amor
perene e verdadeiro
não morre
vive
permanece

E quando o Sol da vida
se vai
e esmorece
Esse Amor
fica na alma
numa prece...


Maria Helena Amaro
Inédito, 14 de fevereiro de 2009.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Noite de Natal

(Fotografia de António Sequeira)

Ao anoitecer vens ter comigo
e vamos pela noite mão na mão.
Encontramos na rua «os sem abrigo»,
embrulhados em trapos e cartão.

Surge em cada canto da cidade
um presépio de fome e sofrimento.
Quem vive de partilha e caridade?
Quem vive sem saúde ou alimento?


As ruas e montras enfeitadas,
cheias de cor e luz, iluminadas,
gritam ao mundo farturas e riqueza.


Dormem em casa pessoas descansadas…
Dormem na rua crianças desprezadas…
Que mundo é este? Quem causa esta pobreza?
          


  Maria Helena Amaro
Inédito, Dezembro 2010.