Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

terça-feira, 29 de maio de 2018

87º Concurso de Quadras de S. João JN 2015 - I


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

I

Na noite de S. João
se eu saltar a fogueira
ficarei com o coração
queimado p´ra vida inteira.

Maria Helena Amaro

Pseudónimo: Maria João
Concurso de Quadras de S. João do Jornal de Notícias, 2015

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Dia do sorriso


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Vou guardar para sempre o teu sorriso...
O teu olhar pejado de ternura...
Não é preciso datas... não, não é preciso,
para rendar o nosso tempo de ventura.

Vou guardar para sempre o teu olhar...
A certeza irmanada do teu ser...
Não é preciso uma data a marcar...
Tu estás sempre comigo, até morrer...

Datas para quê? Datas são precisas?
São necessárias para festejar?
O amor? O sorriso? ... e a bondade?

Não há na vida memórias indecisas
quando o amor viveu sem torturar...
Quando a morte faz anos de saudade!

Maria Helena Amaro
26/04/2015

domingo, 27 de maio de 2018

Ira


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Vai deitar fora toda essa ira,
que tem crescido em cada dia, mês e ano...
Lança-a nas vagas do irado oceano.
Deixa-me tanger em paz a minha lira.

O teu aspecto calmo é uma mentira,
é embuste, desaire e desengano.
Que a tua ira causa sempre dano,
tudo derruba, embrutece, vira...

Palavras rudes a tua boca atira.
São como raios certos numa mira.
Sem errar, sem parar, sem um engano...

Deixa-me tanger em paz a minha lira.
A minha alma só a paz admira...
A tua ira é um ato desumano...

Maria Helena Amaro
29/04/2015 

sábado, 26 de maio de 2018

Regresso


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Que é feito de vós minhas meninas,
minhas meninas da Escola de Criás?
Olho as fotos e não vos reconheço...
Só lembro bem os vossos olho ledos,
cheios de luz, de pureza de paz!
Que é de vós meninas de soquinhas,
de avental e saia quase até aos pés?
Que é de vós alegres pequeninas,
atrás de mim em voo de andorinhas
a arrastar, presas, sempre as minhas mãos?
Passaram tantos anos! Tantos... Tantos...
Já sois, talvez mamãs, até avós.
Já vós crescestes em graça e em encantos!
Mas eu não me esqueci... de todas vós.
Vivo ainda e por entre desencantos
olho as vossas caritas encantadas...
Branquinhas de luar... Morenas como a noz
e fico-me a pensar...
Ai Criás, da minha mocidade...
Meu Deus, tanto amor, tanta saudade!

Maria Helena Amaro
Abril, 2015


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Sono


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Quando chega a noitinha, eu estremeço.
A noite é longa , como o dia, como a tarde...
Abro os olhos... Fecho os olhos... Adormeço...
Envolvida no meu manto de saudade...

Aos vinte anos, em sonhos, eu regresso
tão cheia de fé, luz e verdade.
Tenho tudo; à vida nada peço.
Sou tão feliz na minha mocidade!

Amo o sol, as flores, as crianças
Faço do meu cabelo longas tranças
e flutuo no céu como um balão...

Sou filha da fortuna, das esperanças
A vida inteira é ritmo de danças...
Então, acordo... Saudades... Solidão...  

Maria Helena Amaro
17/04/2015


quinta-feira, 24 de maio de 2018

Amor perfeito


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Amor-perfeito foi o meu amor
feito de fé, de luz, de esperar.
Abriu em junho como uma flor
e foi nesses abraços se aninhar.

Amor-perfeito foi o meu amor,
puro e viçoso, róseo, cor de âmbar,
envolto em rendas, em brilho, riso, cor.

Amor-perfeito foi o meu amor
Quando o agosto o fez de sombra e dor
e o desalento o veio conquistar...

Amor-perfeito foi o meu amor
do infinito buscou o seu senhor
e nunca mais, nunca mais irá murchar. 

Maria Helena Amaro 
16 de abril 2015


quarta-feira, 23 de maio de 2018

Convite


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Anda ver as azáleas floridas
e as camélias viçosas em flor
Traz contigo o amor das nossas vidas
naquele tempo sem desalento ou dor.

Anda ver o sorriso dos teus netos,
o barulho que preenche o nosso lar
Vem conhecer o melhor dos afetos
Vem dar-lhes colo e a luz do teu olhar.

Vem conhecer o meu cão Labrador
que o Tó me deu por companheiro
nestas horas de luto e solidão...

Traz-me uma estrela, um anjo ou uma flor
que o tempo breve corre tão ligeiro
e está velhinho este meu coração!

Maria Helena Amaro
15 de abril, 2015