Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Dia de anos


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Para mim foste sempre
na vida que vivi...
Mais que um filho-totobola
que Deus me deu
como prémio de consolação
pelos outros que perdi...
Foste o sol, a alegria, o sonho
que nasceu inesperado...
Obrigada amor pelo que és
por aquilo que és e que conténs.
Neste dia de cor
Parabéns! Parabéns e uma flor!

Maria Helena Amaro
14/04/2015


domingo, 20 de maio de 2018

Ai esta primavera!


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Ai esta primavera! Ai esta primavera!
Este mar tão salgado de saudade
Esta esperança de que estás à minha espera.
Desse outro lado na luz da eternidade.

Ai esta primavera! Ai esta primavera!
Esta certeza, esta dura verdade.
Esta solidão tão crua e tão severa
a que chamo tristeza, dor, maldade.

Ai esta primavera! Ai esta primavera!
Que me alegra, me magoa, me venera,
que me traz o teu rosto sem idade...

Ai esta primavera! Ai esta primavera!
Que já me lembra que não sou o que era.
Que me recorda a nossa mocidade!

Maria Helena Amaro
Março, 2015

sábado, 19 de maio de 2018

Nomes


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

O sal é branco e chamam-lhe salgado.
Da noite escura dizem-lhe estrelada.
À vida morta chamam-lhe passado
À minha fé, eu chamo caminhada.

À madrugada todos chamam dia.
Ao sol vermelho já chamam clarão.
A um sorriso chamarei alegria.
Mas à tristeza eu chamo solidão.

Assim se escrevem nomes acertados.
Uns são corretos outros são errados.
Uns vivem sós, outros são como irmãos...

O papel quer guardá-los bem guardados.
Mas eles saem de caneta disfarçados
e são poemas de entrelaçadas mãos.

Maria Helena Amaro
Março de 2015

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Carta/poema


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Caminhaste tantos anos,
na planície longa
à procura da flor azul...
Encontraste a papoila
vermelha, esfuziante,
mas não a colheste
porque vestia de vermelho
e o vermelho para ti
chamava o conflito...
Encontraste o lírio meigo e roxo,
mas não era o sonho
que tinhas procurado...
Encontraste o malmequer sadio,
mas o malmequer era amarelo
e o teu sonho tinha de ser azul...
Na planície longa 
só encontravas rosas,
violetas, narcisos,
ignotas flores...
A busca foi dura e demorada,
mas numa manhã de sol
na planície longa
entre a erva daninha
encontraste a flor
a flor azul
azul e tão azul
que te cegou de luz...
Não foste capaz de a cortar...
Não foste capaz de a guardar...
Deixaste-a ao relento
ao sol
ao vento
à tempestade fria
e ela resistiu...
E tu? Que fizeste tu da
busca interrompida?
Não te deram a flor
e sentes pena? ...
Deixa lá! A flor é a vida
e esta carta tornada
num poema!


Maria Helena Amaro
Março, 2015

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Requiem


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Quando eu morrer... não me chorem... não!
Vistam-me o meu vestido de noivado.
Forrem a urna com o meu toucado.
Coloquem uma cruz na minha mão...

Não quero flores em profusão.
Nem discursos de tom notificado.
O valor das flores quantificado
deem aos pobres que não tenham pão

Peçam a Deus uma palavra de perdão
para os desvios deste meu coração
insatisfeito, cigano, atormentado...

Quando eu morrer... não me chorem... Não!
Com Deus não morrerei em solidão.
A vida eterna é um sonho abençoado!

Maria Helena Amaro
Quaresma, 2015


quarta-feira, 16 de maio de 2018

Poesia - Dia da mulher


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Não venham hoje bater à minha porta.
Hoje não estou... Não recebo ninguém.
Quero sentir-me velha, rude, morta,
encurralada na dor que me retém.

Não  venham hoje encher a minha sala
de risos, de barulho, de questões...
Quero o silêncio que me canta e embala.
Não quero  fitas, nem arcos, nem balões...

Deixem-me só na minha solidão.
Tenho paz, tenho luz na minha mão
e a caneta já fala de alegria...

É mais um pouco... À dor vou dizer não.
O papel é amigo e é irmão.
Quero estar só... Para ouvir a Poesia!

Maria Helena Amaro
8 de março de 2015.


terça-feira, 15 de maio de 2018

Amo o vento


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Anda o luar a bater-me na vidraça...
Anda à procura duma estrela perdida.
Na noite fria procuro uma guarida.
Mas não me abrigo ao luar que me abraça...

Quero ser livre como o pregão da praça,
que a peixeira solta desabrida...
De asas quero vestir-me de seguida,
e esvoaçar no vento que me enlaça.

É isto a minha sina, a minha raça,
senhora de ventura ou de desgraça,
nem luar, nem maré interrompida...

Amo o luar... Até que lhe acho graça,
mas o vento que ruge e por mim passa
dá um sentido de força à minha vida!

Maria Helena Amaro
Esposende, 2015.