Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Momentos


(Fotografia de António Sequeira)

Esgota-se a palavra, a frase e a ideia,
o discurso, a promessa, o argumento.
Na alma a revolta se incendeia,
não há fé, nem esperança, nem alento.

Vão na rua vozes de sofrimento,
que reclamam pão e vinho, uma ceia.
Ninguém escuta a dor deste tormento.
Surgem novos e velhos, em cadeia.

Tudo se esgota. É uma maré cheia,
de mentiras, que alguém negoceia,
em nome de um povo sem sustento.

Onde vamos nós nesta alcateia
enredados em tenebrosa teia.
Em busca doutra gente, doutro tempo?

Maria Helena Amaro
18/05/2013




quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Rota


(Fotografia de António Sequeira)

A tua alma andou tantas estradas,
becos, labirintos e vielas,
sob o ruído amargo das procelas,
sob a chuva, raios, trovoadas.

A tua alma fez tantas caminhadas,
sob a luz ridente das estrelas,
que te deixaste enfeitiçar por elas,
porque eram jovens, celestes, encantadas.

Andastes pelos bosques de mãos dadas,
em busca de flores, faunas e fadas,
e não achaste sequer o rasto delas.

Não andes mais. Deita fora esses nadas
Dá à tua alma serenas madrugadas.
Faz dos teus olhos duas grandes janelas.

Maria Helena Amaro
17/05/2013

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Palavras


(Fotografia de António Sequeira)

Quis ser escultora de poemas.
Achei dura a natureza da palavra.
A caneta todo o papel rasgava.
Ficava da palavra a dor apenas.

Quis rimar muitas rimas serenas,
mas a palavra  sempre se calava.
Na folha de papel tudo sobrava,
porque as ideias eram tão pequenas.

Esculpi mágoas na palavra dura,
com o cinzel fiz rimas de ventura,
mas, o papel não muitas rejeitou.

Ninguém as leu. Ninguém as quis cantar.
Que as palavras são como o luar,
apenas brilham porque alguém as declamou.

Maria Helena Amaro
Maio, 2013

domingo, 7 de agosto de 2016

Para a Bia


(Fotografia de António Sequeira)

No reino da fantasia,
cheio de riso e alegria
onde impera muito amor.

Existe a menina Bia,
a princesa da família,
tão bela como uma flor.

Para ela neste dia,
junto de manos e pais,
vai a festa que merecia,
com beijinhos, muitos, mais!...

Da avó:

Maria Helena Amaro
12/05/2013

sábado, 6 de agosto de 2016

Cores


(Fotografia de António Sequeira)

O branco é a cor da vida.
O preto é a cor da morte.
O lilás a despedida.
O verde é a cor da sorte.

Cinzento é a cor de espera.
O castanho é a cor de outono.
Amarelo é a primavera.
O laranja é abandono.

O azul é infinito.
O vermelho esta paixão.
Cor de rosa é cor do mito,
do sonho feito ilusão...

Misturo todas as cores,
faço delas uma poção:
sorrisos, lágrimas e dores,
que tingem meu coração.

Maria Helena Amaro
Maio, 2013

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Alma


(Fotografia de António Sequeira)

O meu estado de alma é português.
Vive de riso de mágoa, de saudade.
A poesia é a sua verdade.
Cada hora, cada dia, cada mês.

O meu estado de alma é lusitano.
Crê na vida, na coragem, na nobreza.
Dá o nome de Deus à natureza.
É judeu, cristão, samaritano.

O meu estado de alma é mareante.
Lança no mar uma nau navegante
e lá se vai a marear no fundo.

O meu estado de alma é caminhante
Caminha sempre em busca de levante
Perde-se todo nas ruelas do mundo.

Maria Helena Amaro
Maio 2013


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

83º Concurso de Quadras de S. João JN 2013 – XXVII


(Fotografia de António Sequeira)

XXVII

Já vou pela noite fora
com flores na cabeleira...
Se tu me mandares embora
solto o fogo na Ribeira.

Pseudónimo: Maria Fogo
Maria Helena Amaro
Concurso de Quadras de S. João do Jornal de Notícias, 2013