Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Alzheimer


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Olhar perdido tu vês passar o mundo,
triste e corajosa vês o tempo passar,
há no teu rosto desalento profundo,
sonho perdido, no teu perdido olhar.

Por onde vais não sabes, nem interessa,
que há na vida o que te possa interessar?
Tudo se faz sem alegria ou pressa,
até que a morte te venha procurar.

Quem és não sabes, nem te interessa saber.
As portas se fecharam lentamente
O sol não veio, nem irá chegar...

Irmã da desventura e do sofrer,
vives na noite submissa, pendente,
da luz de Deus que te há de iluminar.

Maria Helena Amaro
(Dedicado aos doentes com Alzheimer)
21/09/2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Pinturas


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Os olhos do meu amor,
são olhos de amêndoa doce,
como olivais de Foz de Arouce,
ou carvalhos em flor...

Os olhos do meu amor,
são castanhas madurinhas,
São alegres andorinhas...
São voltejos de condor...

Os olhos do meu amor,
abertos para o luar,
eram rosas de toucar,
lá na serra do Açor.

Os olhos do meu amor,
abertos de par em par,
eram as ondas do mar,
à procura do sol-pôr. 

Maria Helena Amaro
Julho, 2011

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Mar


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

É o mar o meu sustento
minha praia, a solidão,
maré alta o meu tormento,
maré baixa, o meu caixão...

É o barco asa de vento,
meu amigo, meu irmão,
é a rede onde me sento,
meu banco, meu ganha pão.

É o farol o meu guia,
que me leva pela mão,
quer de noite, quer de dia,
é o leme, o meu timão.

Tenho remos, tenho vela....
Lá vou eu a navegar...
Numa noite de procela,
talvez eu morra no mar... 

Maria Helena Amaro
Fevereiro, 2011

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Dilema


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Vou de poema em poema,
a resolver o dilema,
que preenche a minha vida.

Ser ou não ser - a questão,
ter ou não ter - a razão,
de uma força desmedida.

Vou de poema em poema,
a lutar contra o sistema,
com uma raiva contida.

Liberdade? Escravidão?
Na palma da minha mão
anda uma linha perdida...

                        - ou uma corda partida
                        na harpa do coração!

Maria Helena Amaro
23/03/2013

domingo, 3 de janeiro de 2016

Presença


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Tão duro caminhar sem ti ao lado
tão triste recordar
horas diversas do nosso passado
sem que as lágrimas assoem
aos meus olhos...
Que rota vou tomar na minha vida
se me sinto tão ausente
tão perdida
tão suspensa
tão cheiinha de abrolhos...

Tão duro caminhar sem ti a lado...
Donde venho? Onde estou? Aonde irei?
Tu eras o meu rumo, o céu estrelado...
Tudo desapareceu... De nada sei.

Maria Helena Amaro
24/12/2010 





sábado, 2 de janeiro de 2016

Blogue


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Pendurei à janela do meu quarto
o meu lirismo
o meu retrato...
e alguns poemas loucos...
O povo passava
lia
sorria
gostava
e dizia:
- São poucos!
Queremos mais!
Fui ao caderno do meu lirismo agudo
vasculhei tudo
e coloquei os tais...
D. Prosa Mesquinha
minha vizinha
veio às janelas
- tão  velha e tagarela -
e disse às estrelas:
"É demais!"
Não gostei do aviso
que me deu prejuízo.

Peguei no caderno
de capa cor de mel
parti canetas
amassei o papel
mandei o lirismo p´ras urtigas
deixei-me de cantigas
fechei cancela e portas
e hoje
tão lenta e vagarosa
ando em prosas mortas
a poetar rimas tortas!

Sem papel
sem caneta
sem lirismo...
e... sem botas!

Maria Helena Amaro
26 de novembro de 2015

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O tempo


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Renego o tempo porque o tempo foge
Cobre de rugas o meu sereno rosto
O sol nascente parece já sol posto
O dia de amanhã parece o de hoje.

Renego o tempo porque o tempo voa
Cansa-me as asas já entorpecidas
Enche-me os olhos de coisas esquecidas
E os ouvidos de cantigas à toa...

Renego o tempo que vai e não regressa
Não diz adeus mesmo que eu lhe peça
Faz de todo o sentir uma corrida...

Se vou com ele quase me manda embora
Fico retida no dia mês e hora...
O tempo foge... Assim me leva a vida!

Maria Helena Amaro
Braga, 3 de julho de 2012