Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Fantasia


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Eu queria mergulhar nos teus olhos
meus olhos torneados de chorar
que os teus fossem um lago, um verde mar
e que os meus fossem estrelas do céu...

E num sonho todo feito de quimera
eu sentisse o afago dum carinho
como estrela, como guia no caminho
que eu palmilho estivesse à minha espera...

Mas teus olhos são um deserto ardente
onde meus olhos se perdem loucamente
em busca dum «oásis» de ternura...

Que importa isso, se eu constantemente
quando os olho sorrindo docemente
julgo viver num mundo de ventura?

Maria Helena Amaro
17/02/1955

sábado, 27 de dezembro de 2014

Ambição


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Eu quis o mundo prostrado a meus pés
e ser dele a rainha presuntiva
Eu que da miséria era cativa
visando a rua da mágoa lés-a-lés...

Meus pés sangraram na rude subida
até ao altar onde o  mundo morava
Pobre de mim! Criança, acreditava
que o Amor era a rota da vida! ...

Mas veio a noite, o raio, a tempestade
e eu na íngreme subida vacilei 
quando no alto o abismo atingi...

Arrastada quis recuar,  já tarde
mas na subida que escalar tentei
escorreguei e p´ra sempre cai!...


Maria Helena Amaro
Esposende, 11/04/1955


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Feliz Natal


(Fotografia de António Sequeira - Presépio de Maria Helena Amaro)


Este espaço literário digital deseja a todos os amigos, leitores e visitantes Um Santo e Feliz Natal.

Obrigado pela vossa companhia e carinho.
Boas leituras! 
Um abraço cibernético!

  

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

As minhas mãos


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

As minhas mãos pálidas transparentes
como águas dum lago sem verdura
parecem mãos de pessoa doente
ou de fantasmas sem vida, sem pintura!

As minhas mãos pequeninas persistentes,
buscam no mundo afagos de ternura.
Mãos caprichosas, fugidias, ardentes
morrem de sede, de sede de ventura!

As minhas mãos pálidas, maceradas,
dedos esguios como sombras aladas
onde o sonho afaga um sorriso

Buscam no ar em revoada louca
a ardência da tua meiga boca
como eu busco na vida um Paraíso! 

Maria Helena Amaro
15/04/1955

domingo, 21 de dezembro de 2014

Natal


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Pai Natal! Pai Natal! Gritam crianças
pelas ruas luminosas da cidade,
pedem presentes, cheios de ansiedade,
olhos brilhantes de gostosas esperanças.

Olho o Presépio exposto numa montra,
tão luminoso como as estrelas dos céus.
Ando à procura de um presente para Deus
e uma mensagem minha alma encontra.

- Usam-se perante Deus religiões:
mil braços, mil beijos, mil perdões,
Num conceito de amor universal.

Façam a paz real entre as nações,
nem misérias, nem guerras nem pressões;
e Jesus sorria: “Feliz Natal!»



Maria Helena Amaro

Braga, Natal 2014.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Presépio


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Faço um Presépio de Luz na minha casa:
Jesus, Maria, José e pouco mais!
Faltam-me os rostos doces dos meus pais.
A um anjinho cortaram-lhe uma asa.


Não ponho musgo, nem burro, nem vaquinha.
Tem um alpendre velho, carcomido:
Talvez, assim, Jesus tenha nascido…
Talvez fosse numa gruta pobrezinha.


Faço um Presépio… No teto uma estrela,
raios de luz, todos à volta dela,
sem flores, sem velas, pinheirinhos…


Olho de longe e gosto do que fiz…

Com tão pouco Jesus está feliz.
À sua volta apenas tem anjinhos.



Maria Helena Amaro
Braga, Natal 2013

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

... E o pó é nada!


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Lábios sorrindo em doce comunhão
Rostos erguidos voltados para a vida
Peitos ardendo na chama decidida
Bocas unidas em rubra combustão!

Mãos agarradas em cruel crispação
Promessas loucas e ilusões perdidas
Vultos envoltos em dores muito garridas
como em lavas ardentes de vulcão!

Olho... Sorrio... Observo indiferente
Consumo tudo num ciciar baixinho
com minha alma triste, amargurada...

Quadro obsceno de fundo quase ardente...
- Homem que crês, retoma o teu caminho
olha que tudo é pó... e o pó é nada!


Maria Helena Amaro
13/05/1955