Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

domingo, 14 de dezembro de 2014

... ... ... (sem título)



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Deus fez meus olhos de um pedaço dos céus
e meus cabelos da noite muito escura
pôs no meu rosto de neve, a extrema alvura
e em minhas mãos transparências de véus! ...

E Ele  que era um Divino, um Deus
Supremo artista de sua escultura
quis retocar-me com sombras de amargura
e violetas tornou os olhos meus...

Depois olhou-me e sorriu satisfeito
pôs um cravo de mágoas no meu peito
como um sinal de eterno sofrer...

Com roxos lírios circundou-me os olhos
colocou no meu caminho só abrolhos
e uma cruz nos meus ombros de mulher!

Maria Helena Amaro
11/04/1955 


sábado, 13 de dezembro de 2014

A minha Fé


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Estendi as mãos, a tremer, a tremer,
buscando no espaço uma ilusão...
Que encontrei?
Nada do que sonhei!
Só pó, só cinza, só loucura
em negro turbilhão
e na estrela de extrema alvura
a brilhar, a tremer,
a sorrir-me, terna, docemente! ...

E meus pés vacilaram na subida
até à estrela que brilhava
nas alturas da vida!
Chamei por ela,
não viera, não olhava...
Mas eu subi,
sem medo, sem temor.
E ao chegar à luz daquela estrela
encontrei nela
A minha Fé, Senhor! ...

Maria Helena Amaro
17/03/1955 


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Ideal


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Conhecem-no? Talvez. Mas quem é? Não sei...
Donde veio, onde mora, onde está?
Quem é ele? Como é ele? Sei lá...
Se eu nunca o vi! Se eu nunca o encontrei!

Mas conhece-o. Vejo-o em todo o lado
Sei que tem reflectido nos olhos
a luz da escuridão, uma noite de abrolhos
e na voz um hino perfumado... 

Vem nos lábios as ardências do estio
vem no rosto tinhado e trigueiro
as sombras tristes e os raios de calor...

Mas quem é ele? Eu conheco-o, eu vi-o
talvez num sonho fugaz e passageiro.
Sei que é um Deus na vida; um homem no Amor!

Maria Helena Amaro
9/10/1954

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ele


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Encontrei-o. O seu olhar parado
pousou em mim, desprendido, indiferente.
O rosto pálido, febril, macerado
fogueira morta sem uma chama ardente...

Tinha amargura no olhar refletida
naquele olhar que parecia não ver
último sopro que lhe largava a vida
e ele passou a tossir, a gemer...

Mais parecia uma sombra vagueando
por entre as mais mergulhada na bruma
pobre sombra vagarosa, passando!

Não mais o vi. Talvez sua agonia
não seja mais que cinza, pó, espuma
sob um túmulo na terra negra e fria.

Maria Helena Amaro
26/09/1954   

domingo, 7 de dezembro de 2014

Neblina


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


A neblina
sobe, sobe de mansinho...
Sobe a colina,
há nuvens de cor do arminho...
Ó quantos gostos, quanta frescura
pairam no ar, a grande altura!...
Na natureza
quem morrerá?
Quanta beleza, quanta beleza
Jesus nos dá!...
E a alma vai... vai a cair...
Ó meu Jesus! Se pudesse ir,
se eu pudesse ir, por esse mundo,
como a neblina no azul profundo...
Estas gotinhas cheias de cor
da neblina
cantam ternura, dançam amor
sobre a colina.

Se eu fosse neblina,
em gotas de rosário,
ia cair na colina
na colina do calvário!...

E em gotas de frescor
da fresca neblina
ia metigar a dor
que Jesus por nosso Amor
sofreu, chorou na colina
Na colina do Calvário!

Ai, se eu fosse a neblina
em gotinhas de rosário
iria molhar o chão
onde Jesus se arrastou
limpar o sangue cristão
que a poeira secou...

Ai, se eu fosse neblina!
Que paira sobre a colina!
Mas eu sou tão pequenina!...
Tão pequena! Tão pequena!
Mas sou maior   que uma pena!

Ai se eu fosse a neblina
também ia refrescar
o Sacrário pequenino
onde o meu Jesus Menino
noite e dia está orando...
Ai se eu fosse a neblina
Que paira sobre a colina!!! ...

Maria Helena Amaro
24/05/1954



sábado, 6 de dezembro de 2014

Libertação


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Morreu. Já no esquife escuro
a morte a prende com ar cansado
tanto lutou para ser derrotado
aquele coração tão jovem e puro!

Longa mortalha de extrema alvura
como a sua alma branca de jasmim
botão de rosa que alcançou o fim
quando ao longe lhe sorria a ventura!

Chorai; murchai flores, que ela morreu!
A neve branca  caia lá do céu
para cobrir seu corpo ainda quente...

Venham as nuvens do azul sem fim
venham perfumes do céu e alecrim
e um anjo p´ra velar na câmara ardente...

Maria Helena Amaro
26/05/1954




quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Vou contar-te uma história


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Conheci a vida quando era menininha,
e precisei de um berço e de um abraço
de uma mão segura a guiar o meu passo,
a aprender a dar muito que tinha

Eu tinha uma alma de andorinha
precisava de vôo, luz, espaço
e de um abrigo quente, de um regaço,
quando a noite chegava tão lameirinha...

De vôos arriscados o meu pai me detinha
de sonhos e conversas a mãe era a vizinha
que desviava de mim a dor, o embaraço...

A vida que vivi é a história velhinha
de uma princesa no amor rainha
que escreveu poemas e os atou num laço.

Maria Helena Amaro
Braga, 1/12/2014