Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

domingo, 16 de junho de 2013

Prece II (1968)


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Senhora do Perdão
Senhora dos olhos magoados
de vestes cor de céu
a rastejar o chão.

Eu venho aqui
e já não sei rezar
e já não sei pedir...

Menina fui
Menina fui até a Dor surgir...
Agora, não tenho que dizer...
Tenho um ramo de espinhos
dentro de mim,
a crescer, a crescer...

Trago as mãos vazias
próprio já não tenho nada
que vos possa ofertar...

Minha mãe,
Senhora do Perdão...

Deixa-me encostar ao vosso seio
a minha alma
cansada de chorar...

Maria Helena Amaro
Agosto, 1968
(Concurso Pedro Homem de Melo)

sábado, 15 de junho de 2013

Prece I (1968)




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)



Mostra-me o Sol!
Ensina-me a viver!
Horas amargas vivi em desatino
antes de te encontrar
no meu caminho...

Depois que te encontrei
tive da vida o que de melhor Deus
pode dar à mulher...

Agora
a alma toda em ferida
chaga aberta em dor feita degredo
peço-te de mãos erguidas...

Ensina-me a viver!
Eu tenho medo!


Maria Helena Amaro
(Concurso Pedro Homem de Melo)
Braga, 1968

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Cidadela

 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Cidadela de Sonho onde morei
rodeada de Amor e de Beleza...
Perdi o tempo; o dia já não sei...
Vivo em pobreza.

Cidadela de luz onde me ergueste...
Tão feliz eu reiniciei...
Agora
Mendiga duma esperança que me enche
a alma, o corpo, o coração,
lá vou descalça pelo mundo fora
suspensa
dum milagre de Amor e de Pureza.


Maria Helena Amaro
Agosto, 1968
(Concurso Pedro Homem de Melo)

domingo, 9 de junho de 2013

Mensagem (Ao Tono)




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Para além de tudo, Amor,
existes tu...

Deixa-me chorar...
Deixa-me dizer...
Deixa-me gritar à minha dor
que existes tu!

Deus há de ajudar-nos
a guiar o barco naufragado...
Dá-me a tua mão...
Fecho os olhos.
Sorrio às flores belas do passado!

 
Maria Helena Amaro
Agosto, 1968
(Concurso Pedro Homem de Melo)

sábado, 8 de junho de 2013

Asas



(Ilustração de Maria Helena Amaro) 


A minha alma
ergueu-se ao amanhecer
e vestiu-se de Esperança
para cantar...

Asas mortas
e voos destroçados
não a deixam voar...

Dá-me a tua Mão Senhor
Para que encoste nela
o meu rosto cansado
de chorar...



Maria Helena Amaro
Agosto, 1968
(Concurso Pedro Homem de Melo)

quarta-feira, 5 de junho de 2013



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Minhas horas primeiras...
meus sonhos de pureza...
meu ideal de Fé nunca negado...
Barcos unidos e nunca separados...
Rumos iguais e nunca divididos...

Subi tão alto, Senhor
e queimei incenso a quem merecia pó...
Agora
os sonhos destroçados
são fantasmas de ideais vencidos.
Na dor
sinto-me só.


Maria Helena Amaro
Agosto, 1968
(Concurso Pedro Homem de Melo)

domingo, 2 de junho de 2013

Nada



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Tinha as mãos cheias de luz
e o caminho era longo a percorrer...
Acendi todas...
Ergui altares...
Chamei irmã à noite...
Quis morrer...

Ai, mas na noite ninguém ouviu meu choro
quando o altar caiu
e as tochas deixaram
de iluminar estradas...

As tochas apagadas
penumbras mortas ficaram-me nas mãos
vazias e paradas...


Maria Helena Amaro
Agosto, 1968
Menção Honrosa Concurso  Fernando Pessoa - Braga.