Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

sábado, 16 de março de 2013

Francisco - Anos 2010


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Francisco menino bom
Risonho, alegre, mimoso,

Anda sempre a saltitar
Na casa da avó Helena
Corre, fala gesticula
indiferente às sugestões
Seguro de sua ideia
Capaz de fazer asneira
O meu neto é um Amor!

Neste dia tão feliz
Por favor, a avó diz...
olha não parta o nariz!

Maria Helena Amaro
Inédito, 23/02/2010

quarta-feira, 13 de março de 2013

Dia de Anos - Lola (2010)



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Glória é nome de estrela
Luz do sol, asa de vento,
Orla de mar e do céu
Riso de força e alento,
Inteligência tão bela,
Amizade e sentimento.

- À Senhora destes bens
aqui vão os parabéns!


Maria Helena Amaro
15/01/2010

domingo, 10 de março de 2013

Soltura


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Não quero
não me submeto
a um novo padrão...
Meus braços são asas de gaivota
e os meus passos
voos de condor...
Lá vou
lá vou no vento
como doida varrida
entre o não
e o sim tão repartida
a procurar o sol
a lua
a nuvem do espaço...
Sou como a chuva
sou assim
transformo a água dos meus olhos
em rios de cetim...
Sou como a neve
se me esmagam no chão
devagarinho
transformo-me em lama
nas pedras do caminho...
Sou como a tília velha
da Avenida
por fora verde
por dentro carcomida.
Não quero 
não me submeto
a novo padrão.
Deixem- me ser assim
São meus amigos
e a contar
são tantos!
E se desistirem de o ser
fica o papel e a pena
para poemar os desencantos.
Deixem-me ser assim
De outra maneira
seria pena
seria uma asneira
deixava de ser eu
a tola Helena.


Maria Helena Amaro
Inédito, dezembro de 2009 

sábado, 9 de março de 2013

Palavras



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Pego nas palavras
somo
subtraio
multiplico
divido
- são sempre
mais ou menos
as mesmas soluções.
Então
corrijo
emendo
anulo
acrescento.
Todas
todas querem formar
ideias
frases e não frases
lenga lengas
cantilenas
poemas e canções!
Infelizmente
poetas como eu
existem aos milhões.


Maria Helena Amaro
Inédito, janeiro de 2009



quarta-feira, 6 de março de 2013

Retrato (2009a)


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Menina tão aprumada,
de face crispada e dura,
de calça tão ajustada
de aparência madura.

Vais na rua com ar sério,
ar de boa rapariga,
mas cometeste adultério,
com a tua velha amiga.

Pobre da moça coitada
sofre segredo contido
amizade atraiçoada...
Pois roubaste-lhe o marido.

E depois de tudo então,
petulante e assanhada,
ainda pregas sermão
à esposa desencantada.

Maria Helena Amaro
Inédito, 2009

domingo, 3 de março de 2013

Carta de Natal para o Pai



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Chamo por ti na tarde pardacenta
Onde estás? Onde paras? Aonde?
Mas apenas o eco me responde
em ressonância demorada e lenta.

A chuva cai na rua lamacenta
o sol se foi e na noite se esconde...
Onde te foste? Onde estás? Aonde?
Grito dorido como ave agoirenta.

Partiste um dia e não disseste adeus
fiquei retida nesses conselhos teus
que me prendiam à vida com justeza.

Mas agora, meu pai, desgostos meus,
traições, desesperos, camafeus,
fizeram de mim esta tristeza.

Maria Helena Amaro
Inédito, dezembro 2009

sábado, 2 de março de 2013

Carta de Natal para a Mãe



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Mãe:
Vai para ti, em sonhos,
esta carta,
esta carta que não lês,
e que por certo,
ficará perdida
no deserto,
duma folha branca de papel...
Se fosses viva,
era no teu colo aconchegante,
que eu poria
a minha carta
tão cheia de amargura...
Deste-me vida,
mas não me deste sorte,
porque a sorte que me foi confiada
era de paz e de amor
um tudo nada
não passava dum sonho de menino
fantasia passada.

Mãe:

Se fosses viva
se pudesses viver a minha vida
talvez soubesses
que a tua filha querida
não tem luz
nem paz
nem aconchego
nem benesses.

Mãe:

Ai no céu
onde pairas celeste.
Vê o meu sofrimento
Sou a filha
que foi apenas escolhida
para servir aos outros toda a vida
sem paz
sem gratidão
sem merecimento.


Maria Helena Amaro
Inédito, dezembro, 2009