Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

domingo, 3 de março de 2013

Carta de Natal para o Pai



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Chamo por ti na tarde pardacenta
Onde estás? Onde paras? Aonde?
Mas apenas o eco me responde
em ressonância demorada e lenta.

A chuva cai na rua lamacenta
o sol se foi e na noite se esconde...
Onde te foste? Onde estás? Aonde?
Grito dorido como ave agoirenta.

Partiste um dia e não disseste adeus
fiquei retida nesses conselhos teus
que me prendiam à vida com justeza.

Mas agora, meu pai, desgostos meus,
traições, desesperos, camafeus,
fizeram de mim esta tristeza.

Maria Helena Amaro
Inédito, dezembro 2009

sábado, 2 de março de 2013

Carta de Natal para a Mãe



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Mãe:
Vai para ti, em sonhos,
esta carta,
esta carta que não lês,
e que por certo,
ficará perdida
no deserto,
duma folha branca de papel...
Se fosses viva,
era no teu colo aconchegante,
que eu poria
a minha carta
tão cheia de amargura...
Deste-me vida,
mas não me deste sorte,
porque a sorte que me foi confiada
era de paz e de amor
um tudo nada
não passava dum sonho de menino
fantasia passada.

Mãe:

Se fosses viva
se pudesses viver a minha vida
talvez soubesses
que a tua filha querida
não tem luz
nem paz
nem aconchego
nem benesses.

Mãe:

Ai no céu
onde pairas celeste.
Vê o meu sofrimento
Sou a filha
que foi apenas escolhida
para servir aos outros toda a vida
sem paz
sem gratidão
sem merecimento.


Maria Helena Amaro
Inédito, dezembro, 2009

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Silêncio (2013)





















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


No silêncio das coisas que se vão 
E se negam a encher este lugar 
Na magia da recordação
Encontro o teu sereno olhar. 


Na concha recurvada de uma mão
Que se ergue em paz para rezar
Na magia da palavra perdão
Encontro o teu sereno olhar. 


Fecho os olhos… abro os olhos… é em vão
O teu olhar preenche a solidão
De quem sabe que partir é não voltar 


Tudo o que passa na vida é ilusão
Na luz, no movimento, ar e som
Encontro o teu sereno olhar. 


Maria Helena Amaro 

Inédito, Fevereiro, 2013

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Noite


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Desce sobre mim a noite escura,
noite escura que tem nome e tem voz,
noite de breu, semblante feroz,
palavras loucas de raiva e amargura.

Não é na noite que a minha alma procura
a paz dos anjos; esta paz é atroz,
escondida assim dentro de nós,
mostrando aos outros que existe só ventura.

Viver assim é dor, é desventura,
é caminhar na calçada fria e dura,
os pés sangrando, em corrida veloz...

Se minha alma se sentisse segura,
nesta noite, pertença de ternura,
ninguém diria que vivemos sós.

Maria Helena Amaro
Inédito, dezembro, 2009

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Poetas





















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


No mundo destruído
vazio de valores
repleto de chorar e rancores
já ninguém acredita
numa vida melhor...

No mundo transviado
de causas sem sentido
vão as crianças crescendo sem flores
e os pobres vivendo sem abrigo 
por culpa de senhores...

No mundo desviado
de Deus, da Partilha, de colectas
a favor do Sonho
e da ternura
na rua da amargura
só sobram os Poetas.


Maria Helena Amaro
Inédito,  dezembro de 2009




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sobrevivência





(Ilustração de Maria Helena Amaro)



O mar foi meu amor apetecido,
as nuvens foram castelos de ventura,
os barcos residências de ternura,
a praia meu tapete convertido.

Por lá teci, vivi, sonhos perdidos,
calmarias, tempestades, marés cheias,
fiz poemas, beijei pedras, tive ideias
fui senhora dos meus cinco sentidos.

Cantei alto os meus versos risonhos,
indiferente às vozes traiçoeiras,
que bajulavam esta forma de ser.

Assisti a naufrágios tão medonhos,
também chorei com negras carpideiras.
E para quê? Para sobreviver! 

Maria Helena Amaro
Inédito, dezembro de 2009.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Folha caída

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Viveste tão depressa essa ventura
tão passageira... abrir e fechar de olhos...
e guardaste em tuas mãos esses escolhos
que ainda te enchem de amargura.

Quiseste perdoar essa traição
e aceitar com fé o desagrado,
Então; irmã esquece esse passado,
não esfaceles demais o coração.

Esquecer está na tua mão
aliciar a dor na tua esperança
construir a fé de nova vida

À saudade de bem não digas não
revive só os tempos de bonança
esquece tudo, tudo é folha caída.

Maria Helena Amaro
Dezembro, 2009