Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Memória (À Alice Sequeira Pedroso)

(Ilustração de Maria Helena Amaro)



Meu pai falava-me de ti
como se falasse de uma flor:
É radiosa
altiva
independente
Minha mãe, tua madrinha,
dizia-nos
a sorrir:
É inteligente
gentil e donairosa
tem jeito de senhora
e porte de rainha,
é uma rosa.
Mas um dia partiste
sem dizer um adeus
sem fazer despedida...
Também eles partiram...
mas ficaram comigo
no Amor toda a vida
E tu, tal como eles, nunca foste esquecida.

Maria Helena Amaro
Inédito, novembro de 2005.


domingo, 12 de agosto de 2012

Versos (falam...)

(Fotografia de António Sequeira)


Falam meus versos de noite
e nostalgia,
de dor, de vida amargurada,
de mim que canto
um hino de alegria
e que gosto de um boa
gargalhada....

Falam meus versos de risos
retorcidos
de dias gastos ao sabor do nada,
de mim que vivo
os meus cinco sentidos
e me quedo feliz, enamorada.

Falam meus versos de sonhos
recalcados
de saudade, de pena e solidão
de mim que amo os meus
dias passados
que me enchem de luz o coração

Falam meus versos de lutas
violentas
em que perdia a fé e a razão
de mim que sofro «o cabo das tormentas»
e levo o desespero pela mão...

Falam meus versos... sei  lá
de que é que falam...
Com eles nasço e morro
a cada instante...
Vozes que gritam e, que nunca se calam...
e me conservam viva e arrelante.

Falam meus versos...
Quem os vai escutar?
Perdem-se estrelas...
Quem as vai encontrar?

Maria Helena Amaro
Inédito, novembro de 2005


sábado, 11 de agosto de 2012

Rimas

(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Canto em rimas meus dedos separados,
minhas mãos paradas e vazias,
meus abraços de sonho, alegrias,
meus caminhos de rosas salpicados


Canto em rimas meus sonhos destroçados
minhas marés de prata, fugidias,
minhas gaivotas em praias longas, frias,
meus dias cinzentos e parados

Canto em rimas anelos recordados
sonhos de sonhos doutros sonhos alados
horas de dor, doces, Avé - Marias...

Canto em rimas meus silêncios calados
e quando canto meus versos mal rimados
morro aos bocados em doces nostalgias.

Maria Helena Amaro
Inédito, janeiro de 2006



sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Recordação (noite)

(Fotografia de António Sequeira)


Quando a noite descer
vais acender
um círio branco
num certo altar vazio...

encher os olhos de água
o coração de mágoa
e o corpo de frio...

Vai um fantasma branco
bater à tua porta
sem paz e sem perdão

Não o deixes entrar
Diz-lhe que não
que não
que não!


Maria Helena Amaro
Inédito, janeiro, 2006 


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Saudade (Alice Sequeira Pedroso)

(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Deus sempre Põe Seu dedo
naquilo que cintila,
ofusca, brilha...
Naquela tarde pardacenta
estendeu-te os braços
e Chamou:
- «Vem minha filha!»
Tua alma fez voo de condor
e nós ficámos
na Esperança de uma Ressurreição
nesta incontida Dor!


Maria Helena Amaro
Inédito, 19 de novembro 2005.

Nota: 5º Aniversário de Falecimento de Maria Alice Modesta Sequeira Pedroso



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Dia de Anos (Tono)

(Fotografia de António Sequeira)


Nesta vida acidentada
Nós iremos vida fora,
Sempre, sempre, de mão dada
nem que seja a 10 à hora.


Maria Helena Amaro
Inédito, 16 de novembro de 2005.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Braga - Anos 50

(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Puseste a tua capa de estudante
e foste espalhar risos
pelas ruas da cidade...
Desceste a Avenida,,
passaste pela Arcada,
foste à Globo, olhaste a Brasileira,
Rua do Souto abaixo,
rumaste até ao Arco.

Depois
foste espreitar a Lusitânia,
o Passeio dos Tristes,
pouco mais...
E no Campo da Vinha,
no quiosque da Laura,
compraste dois postais...

Olhaste com humor
a esquina do Turismo
pejada de «mirones»
e os pastéis a rir na Benamor
As "tíbias"... os "secones"...
Elétrico a passar
pela Rua dos Chãos
direitinho ao Liceu...

Mas tu ias a pé,
sobe, que sobe Rua de S. Gonçalo...
Atravessavas
com passo de elefante
Largo do Campo Novo,
Rua das Oliveiras,
Igreja das Teresinhas,
Rua de S. Vicente,
com a tua capa de estudante
a ondular
no ar...

Era o tempo da música
na Avenida,
dos pares de namorados,
das verbenas e festas no Casino...
Saraus no Ateneu...
Da Missa "chic" ali nos Congregados...
Se bem me lembro,
o melhor de tudo
e tudo o mais,
era a festa do 1º de dezembro...

Ceia dos Cardeais
e as serenatas ao Luar
ali em frente ao Lar...
No S. Geraldo e no Teatro de Circo
passavam os filmes escolhidos...
"Amanhã será tarde"
"Ana"
"Sabrina"
"Direito de Nascer"
que enchiam de Amor
os corações perdidos...

Se voltares à cidade,
Não tragas espanto ou sentimento.
A velha cidade donairosa
tornou-se nestes tempos
a favor de ideias e projetos,
que a encheram de ruas e rotundas,
de bairros sem flores
de praças de cimento,
barulhenta, trapalhona, vaidosa.

Se voltares à cidade
em dezembro ou em maio
esquece as fitas
as festas
o Liceu...
Tudo passou
tudo se foi
tudo morreu...

Só ficou a saudade...
Agora, viva e fugaz
brejeira, satírica, mordaz
estonteante e ébria
passa a cantar
de estranho tricórnio
A Universidade!

Maria Helena Amaro
Inédito, outubro de 2005