Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Verão de Saudade



Mergulhavas nas ondas alterosas
e eu ficava na praia a espiar…
Angustiada, não fosses naufragar,
na flor das vagas espumosas.

Então, começavas a chamar:
«Vem até mim, vem, vem até mim!»
E, eu lá ia pensando ser meu fim,
de tanto medo que eu tinha do mar!

Eram momentos frios, dolorosos,
com o bater do mar no meu regaço,
e a tentar chegar à tua beira…

Vinham então teus braços vigorosos,
prender-me toda num carinhoso abraço
para que a onda me cobrisse inteira!


Esposende, agosto 2010
Inédito – Maria Helena Amaro

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1º de dezembro


«Portugueses celebremos
o Dia da Redenção…»
Eu cantei
tu cantaste
nós cantámos
tantas vozes na noite
se encontraram
que as tábuas do Teatro Circo
tremeram
abanaram…


Nas frisas
camarotes
plateia e geral
Braga inteira sorria
aplaudia
de seda e brocado se vestia
para ir ver
os meninos e meninas
do Liceu Nacional
no grande recital…

Pela primeira vez
e só naquele dia
e só naquela festa
eu vestia
o meu vestido de organza branca
tão leve e tão comprido
para no Orfeão afinadinho
cantar toda a canção
em voz serena e lesta.


Era a canção
o bailado
a opereta
o fado
o auto
e a revista…


O gosto era diverso
pois diversa, então, era essa lista.

No fim da festa
lá pela madrugada
depois da Ceia
que se queria alegre
e bem regada
saíam os rapazes para a noite
a fazer as serenatas
e muitas zaragatas…
na rua
à luz da lua…

As meninas do Lar
espreitavam nas janelas
às escuras
e ouviam as mais belas canções
amores… simpatias… e ternuras.

E em segredo
a alma toda em medo
tentavam descobrir
na deusa escuridão
lá na janela
quem sabia cantar
tanta serenata bela…

Quando rompia o Sol
e despontava o dia
era a cidade
que acordava
e espantada via
a sorrir a falar
os jardins e as ruas
de pernas para o ar….

Mas ninguém ralhava
tudo se divertia
porque a cidade
era a namorada
a todo o instante
feliz enamorada
embrulhada
na capa de estudante…

Ai cidade do 1º Dezembro
dos caloiros
dos bichos
dos ceboleiros
batateiros
e nabeiros
a fugir todos os anos
dos nobres veteranos.

Ai tempo do liceu
tão recordado
tão distante
perdido nos anais
desta velha cidade…

Mas, se bem me lembro
envelheci com ela
e regresso com ela
na saudade
todos os anos
ao Dia do 1º de Dezembro.


Inédito – Maria Helena Amaro
Braga – 1 de Dezembro de 2009

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Recado



Quando a noite me vier buscar
e tingir de negro a madrugada,
eu irei num raio de luar,
alma cheia de tudo e quase nada.

Irei a Deus, sem dor, sem despedida,
buscando no espaço algum lugar,
onde encontre essa paz prometida,
que neste mundo ninguém me pôde dar.


Andei caminhos. Estradas palmilhei.
Fiz opções; atalhos escolhi,
em muitos me perdi, noutros me achei.

Procurei Deus e sempre O encontrei.
Mas onde estão as estrelas que colhi?
A vida as apagou? Ou eu as apaguei?

Maria Helena Amaro
Inéditos – fevereiro 2007

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Esposende





Nasci na terra do vento,
minha mãe era a nortada,
o meu pai um catavento,
meus irmãos, a passarada…

Foi meu lar o vendaval,
feito de noite e saudade,
o meu berço o temporal,
minha sina a liberdade…

Minha riqueza a traineira,
navegando sobre o mar,
sobre a onda traiçoeira,
com medo de naufragar.

Dormi na areia da praia,
a escutar a sereia.
Pus a secar a minha saia
no estendal da Ribeira.

Cresci perdida no tempo,
entre o sol e o luar.
Eu nunca quis casamento,
mas sempre soube noivar.

Nas asas de uma gaivota,
andei suspensa no ar.
A vender peixe na lota
aprendi a apregoar…

A falar tudo me entende,
a contar não tenho idade…
O meu nome é Esposende
da Saúde e Soledade.

Maria Helena Amaro
Inédito, agosto, 2009


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

História de Amor





Numa manhã de certa primavera,
vieste a correr ao meu encontro,
braços abertos e sorriso pronto,
a oferecer amor, sonho, quimera.

Contigo fui de mão dada pela vida,
atravessando bons e maus momentos
alegrias, desgostos, sofrimentos,
rosto feliz e alma enternecida.

Vinhas enamorado ter comigo,
a tua alma era o meu abrigo,
e o teu corpo o meu ancoradoiro.


Braga 16/11/2009
Inédito – Maria Helena Amaro




Mas a vida tornou-se em furacão,
a doença levou-te pela mão
e fez em pó aquilo que era oiro.

domingo, 27 de novembro de 2011

Portas fechadas




O corpo nada vale
tudo sente.
Mas, é a alma
desperta e consciente
que regista
o bom e o mau
que a vida tem…
A Tua alma
está cheia de quebrantos,
saudades,
cruzes,
desencantos,
altares vazios
e velas apagadas;
e lá no fundo
já não cabe mais nada.
Não cabe mais ninguém…
Tens as portas fechadas.

  Inédito, Maria Helena Amaro
7/11/2010


sábado, 26 de novembro de 2011

Mensagem de Amor


Quando te encontrei
fiquei
tonta de esperança,
mas, não te disse,
que desejava tanto,
levar-te nas asas do vento,
para conhecer melhor,
o sonho que existia já,
nos teus olhos tão cheios de luz.

Quando te encontrei
fiquei tonta de esperança,
e, à beira do mar,
no ouro azul,
na canção das ondas,
na leveza da espuma,
descobri nos teus olhos
a nostalgia serena das distâncias…

Disseste que desejavas levar-me,
numa vela branca,
para fazer contigo
a viagem da vida…

Acreditei.
Das tuas palavras fiz um hino
e assim se cumpriu
o meu destino.

20/07/2010
Inédito, Maria Helena Amaro