Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Quotidiano
























(Ilustração de Maria Helena Amaro)

A vida é isto.
Silenciosamente
na solidão
escuto a voz das coisas.
Todos os objetos
da minha casa
têm um nome
recordam-me uma voz
conversam de um assunto.
Fecho os olhos
e adormeço embalada
pelo som
pela presença
pelo sussurro
quase nada.


Maria Helena Amaro
Julho, 1997



sábado, 15 de fevereiro de 2014

Cotovia







(Ilustração de Maria Helena Amaro) 

Ninguém ouve a cantilena
da cotovia que passa
(cantilena de desgraça)
escutar não vale a pena...


Nos caminhos desta vida
quando passa a cotovia
foi-se a noite, vem o dia
cheio de sol sem medida.


E então esta gente canta
manda p'ra longe a desdita
só quer da sorte bendita
a cantilena que encanta.


Maria Helena Amaro
Julho, 1997

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Muro




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Ergueu-se muro
lentamente
pedra a pedra
alto a alto
tornou-se fortaleza.
Não tenho forças
para derrubar o muro...
Tudo ruiu em mim
Não tenho força
capacidade
nem sequer confiança...
Regresso ao tempo
em que era criança...
Rodeada de muros
chorava no regaço dos meus
sonhos
e ninguém escutava.

Maria Helena Amaro
julho, 1997

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Oração


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Sem orações
sem palavras
boca fechada
alma aberta
no silêncio das coisas
eu medito
Deus não é miragem
nem promessa
nem um mito
sem orações
sem palavras
eu sou
eu acredito.

Maria Helena Amaro
Julho, 1997.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Registo II




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)
 

Ficou o cordel na minha mão
o cordel de balão
para eu encher de Amor.

Era afinal o cordel da vida
para prender-me a alma
sem medida...

Procurei a cor do meu balão...
O vermelho encontrei...
De nova lá fui com o cordel
da vida...
Corri e não parei:
Hoje
penso tantas vezes
(e a saudade na minha alma acende...)
Que afinal naquele dia
não te encontrei
porque o destino
tanto engano
desprende!
Ficou-me o registo
naquele pedaço de papel
«grito de alguém,
silêncio que a alma não entende!»

Afinal...
Registo com ternura
o teu rosto
tonto de luz e vida
a desaparecer por entre a multidão
no fundo da Avenida!

Maria Helena Amaro
Maio, 1997

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Registo I



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Naquele maio fui à tua procura
vestida de azul
calçada de branco
enfeitada de prata...

Fui à tua procura
doida de sonho por entre a multidão.
Não era amor, não era,
era apenas esperança.
O meu riso era riso de criança
que retém um balão...

Seguiste, então, de rosto esfusiante,
tão bem acompanhado...
Larguei o meu balão!
Ficou só o cordel na minha mão
e eu parada...
Nunca mais esqueci
o ondular da tua capa de estudante
a desaparecer tonta de dança e vida
no fundo da Avenida!

Maria Helena Amaro
Maio, 1997

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Despedida




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Hei de ir de vez
e ninguém vai notar...
Hei de ir de vez
e se alguém me agarrar
grito que não... que não... que não...

Basta de loucos!
Partido o coração
ninguém o solda as formas...
(grito que não... que não... que não...
que não...)
São loucos!

Maria Helena Amaro
Maio, 1997