Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

domingo, 14 de outubro de 2012

Dia de Anos - Pedro António (2008)



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)



O meu neto Pedro António
tão maroto, digo eu...
Umas vezes é demónio,
outras um anjo do céu...

Menino, tenha maneiras!
Não faça tantas perrices!
Não diga tantas asneiras!
Não faça dessas tolices!

Sete anos já são juízo
p'ra quem é inteligente,
Portar-se bem é preciso
no meio de tanta gente.

Nesta hora de alegria
de sete anos de idade
vai a festa deste dia
e toda a nossa amizade

Parabéns e feliz ano
muito amor e muita paz
na companhia do mano,
do Tó, Avós e papás!

Maria Helena Amaro
Inédito, outubro, 2008 

sábado, 13 de outubro de 2012

Recordação


(Fotografia de António Sequeira)

Estendi-me na areia
a ver o mar
saltitar
a meus pés
que perguntava: quem és? quem és?
e eu respondia
de forma tão brejeira:

Sou marina
filha de gaivota
de sargaço
de limo
de alga marinheira...
Nasci no mar
na boca da traineira
e no mar
lancei a minha frota...

Estendi-me na areia
ninguém veio buscar-me
e fiquei morta!

Maria Helena Amaro
Inédito, 2008 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Pintura
















(Fotografia de António Sequeira)



Rosto apagado
olhar de vidro
porte aprumado
riso sumido...
Porta fechada
fecho corrido
vela apagada
tempo dorido...
Palavras/meias
ideias mortas
água nas veias
em frases tortas...
Não sabes rir
és toda «não»...
O teu porvir
guardas na mão...
Quem te conhece
não sabe nada...
Sobre ti tece
vida apagada...
Mas tu lá vais
velha, sozinha...
Tropeças, cais...
Que dor a minha!

Maria Helena Amaro
Inédito, novembro 2008

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Dor/recordação

(Ilustração de Maria Helena Amaro)


É uma história que não quero contar
que não quero dizer ou comentar,
porque a noite se fez
na minha vida...
Era uma noite de Verão serena e quente
que falava de estrelas e luar...
Menina eu era
confiante nas estrelas
com a alma cheia tão vizinha do céu...
Se fosse cega
não teria visto...
se fosse muda não teria chamado...
se fosse surda não teria ouvido...

É uma história que não quero contar,
imagem negra que quero apagar
e não consigo porque tem vida e cor...

Onde ia eu para morrer assim?
Alguém invadia o meu jardim
e arrancava de mim uma flor!

Maria Helena Amaro
Inédito, novembro de 2008.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Liberdade















(Fotografia de António Sequeira)

É bem fácil ser livre
mas custa tanto a libertação
romper cadeias
soltar as velas
bater nas rochas a nossa embarcação
Hei de ser livre custe o que custar
para viver a minha própria vida
Não vou viver assim
a protestar
uma causa perdida...
Hei de crescer
mas terei que matar
dentro de mim o pouco que ainda resta
da menina que sou.
Hei de ter coragem
para dizer quando não tens razão
Por aí contigo é que não vou
Prefiro ir sozinha
mas, contigo, desta maneira
Não!

Maria Helena Amaro
Inédito, setembro de 1981. 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Solidão V


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Tão longe da vida estou
tanta riqueza desdenho
que nem parece que sou
a mãe dos filhos que tenho.

O sonho porque lutei
aos poucos tudo perdi.
E agora que me encontrei
regresso donde fugi.

Sou uma ilha deserta
cercada de verdes águas
de aves famintas coberta
que se alimentam de mágoas

Lancem boias façam pontes
Venham tirar-me daqui
Transformem águas em montes
com flores que nunca vi.

Pior que a ilha deserta
é este meu coração
Noite e dia a porta aberta
e sempre a mesma solidão.

Maria Helena Amaro
Lousã, setembro de 1981. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Recado V















(Fotografia de António Sequeira)

Que me farias tu se te dissesse «Não»,
não mais mandas em mim,
senhora sou...
Que me farias tu se te dissesse,
és um covarde,
contigo é que não vou!
Que me farias tu se te dissesse
que sonhas ser herói
e és falhado!
Que te julgas senhor condecorado
o rei de toda a vida
e és negado...
Que me farias tu, se te dissesse
que és ribeiro que não conduz a rio
e que és rio que não conduz ao mar,
que és um marco que já foi sinal
e que agora
prostrado na estrada
em gesto principal
és uma ajuda que não conduz a nada!

Maria Helena Amaro
Inédito, setembro 1982