Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Flor


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Ela parece uma flor,
amarela e viva como o sol,
tão ridente como o belo girassol,
inclinado para a luz nascente.
Mas não é, embora seja ardente,
amor de um só amor, sempre presente.

Maria Helena Amaro
8/2/2013 

terça-feira, 26 de abril de 2016

História de vida


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Nasci  numa terra maneirinha,
num pedaço viçoso junto ao mar.
Cresci em sonho de asas e luar,
a bendizer a Deus a sorte minha.

A minha juventude foi louvor
entre a fé e a razão a versejar.
Aprendi cedo a servir e amar.
Meus filhos foram os prémios do amor.

Fui muito feliz no meu trabalho
como pássaro pulei de galho em galho
a cantar todas as cores da vida.

Estou cansada. Na vida me atrapalho,
é para mim viela, beco, atalho.
Estação do fim. A despedida!

Maria Helena Amaro
26/01/2013

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Pausa musical


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Cerro a cortina. Não quero ver ninguém.
Quero paz, quero noite, quero calma.
Quero descer ao fundo de minha alma.
Quero curar as feridas que ela tem.

Amanhã de manhã abro a janela
e recebo no rosto a madrugada.
A minha alma já não sentirá nada,
pois encontrou na noite a minha estrela.

Na noite sou rainha, no dia sou mendiga.
A vida vai passando ao som de uma cantiga
A minha alma se encolhe ao som de uma guitarra

No corpo velho, alma de rapariga,
trabalho sol a sol como velha formiga.
Mas tenho a sina aérea da cigarra.

Maria Helena Amaro
Janeiro, 2013

terça-feira, 19 de abril de 2016

Braga, 2013


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Vou pela cidade entardecida,
em busca de ti, de mim, de nós.
Barulho e confusão abafam esta voz.
Sinto-me triste, só entontecida.

Procuro em vão a Braga sem idade.
vejo as montras de luxo e de riqueza.
Nas esquinas há rostos de pobreza,
há entulho, há lixo, há sujidade.

Perdeu de todo a sua identidade,
senhora da bondade e da virtude,
tem um aspecto de louca que me assombra.

Da Roma portuguesa ninguém sabe.
Este seu novo rosto não me ilude:
É silêncio, é saudade, é sombra!

Maria Helena Amaro
Janeiro, 2013

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Memórias


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Já não caminho. Arrasto-me nos tempos,
que os meus pés encontram embaraços.
Nada retenho. Mas, carrego nos braços,
o mais gigantesco dos tormentos.

São minhas forças o céu, a luz, os ventos,
com eles vou na rota dos meus passos.
Procuro reatar antigos laços
que na memória já se esboçam lentos.

Ainda sei quem sou. Mas os lamentos
que me vêm chamar os sentimentos,
de uma vida que vivi noutros espaços.

São carga dura: são duros, violentos,
pois são no caminhar impedimentos
que me conduzem a momentos devassos.

Maria Helena Amaro
1/12/2012

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Natal 2012 - Mensagens III


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

«Já minha avó sabia...»

Ouvi minha avó dizer,
«velhinha sem alegrias»,
que o Natal devia ser,
Natal de todos os dias.

Maria Helena Amaro
Dezembro, 2012

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Rimas


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Hoje não faço rimas.
Não vou usar palavras iguaizinhas
para cantar...
Vou estender
na corda do quintal
com molas de razão
as menos doces palavras de poesia.

Hoje não uso rimas.
Desculpem, mas não uso!
Parece que a cidade
já pensa como eu...
Porque a vestem de cinzento
e esburacam as ruas
sem respeito ou piedade,
a cidade deixou de ser poeta.
Não usa rimas.
Usa buracos apenas.
Nada mais.
Uma valeta.

Maria Helena Amaro
Novembro, 2012