Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Passado


(Fotografia de António Sequeira)
 
Vem perguntar se te lembras de mim
se eu sou a pequena envergonhada
olhando o Sol com a mão feita fala
com medo de perder-me ou
tropeçar na estrada...

Vem perguntar-me se ainda sou teimosa
se atiro a bola e não procuro a bola,
se faço "monas" de trapo e de serrim
e vou deixa-las à porta do meu bairro...

Vem perguntar-me se sou a pequenita
à procura de crescer sem ter vontade
de dizer aos outros que cresci...

Vem perguntar-me
talvez eu já não saiba
distinguir entre o passado pobre
e o presente que mostras ser ditoso.

Vem perguntar-me...
Não me lembro de ti,
sei apenas que ao longo da vida
encontrei às centenas
uns olhos como os teus
e na partida
talvez porque não os quis fixar
nunca lhes disse Adeus!

Maria Helena Amaro
Praia de Esposende
Agosto, 1987

domingo, 29 de setembro de 2013

Os órgãos dos sentidos


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(Fotografia de António Sequeira)
 

Isto é salgado... isto é doce...
Sopa de nabo? Desgosto!
Para descobrir o sabor
uso o sentido do Gosto.

Às escuras, eu apalpo
e descubro o meu sapato...
Sinto o frio... sinto o quente...
Uso o sentido do Tato.

Cheira tão bem na cozinha!
Vou comer arroz de pato
Vem o cheirinho ao nariz...
É o sentido do Olfato.

Vejo o céu e vejo a lua,
o vídeo e a televisão.
Vejo as cores... vejo as pessoas,
uso o sentido Visão.

Ouço a rádio a tocar...
A chuva... o vento... o trovão...
Fala baixo... não me estragues
o sentido da Audição...

Maria Helena Amaro
1987
No âmbito da atividade docente - 2º classe

sábado, 28 de setembro de 2013

Praia de Esposende


(Fotografia de António Sequeira)

Passaram anos velozes
que me fizeram esquecer
rostos e nomes... as vozes
não mudaram no dizer...

Dos grupos chegam a mim dizer
conversas e gargalhadas...
A mesma alegria... (enfim!)
de pessoas animadas.

Só eu fico no remorso
das coisas abandonadas
São horas feitas descanso
gritos de pedras lançadas...

Não vou dizer que estou morta
ou que esqueci o passado.
Mas quem bate à minha porta
só tem silêncio gelado.

Quanto mais tempo vai ser
este tempo sem medida?
Quem sabe do meu viver
deste viver sem ter vida?

Olho na palma da mão...
Só vejo linhas cruzadas...
este pobre coração
vai ver mais encruzilhadas?

Nos sonhos e no viver
procuro o lado da arte...
Mas quando tem que escolher,
só recebe a pior parte...

Por isso pergunto à vida,
se na força do viver,
eu só posso ter saída
se for capaz de escrever...
 
Maria Helena Amaro
Agosto, 1987

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Concurso Pedro Homem de Melo
















(Fotografia de António Sequeira)

Poetas do meu país
Estais loucos ou perdidos?
De que lira vos servis
Rindo dos sonhos que peço?
Onde estais? Não vos conheço!

Hoje um poeta nasceu
Onde nasce o doce povo...
Mil sonhos grato vos deu
Em versos de puro ouro
Misto de cristão e mouro...

Doido, doido lhe chamaram
Ele não ouviu... Gritaram!

Mãos atadas foi dizendo
Estou preso. Não me ledes?
Luto por dias felizes...
Onde estão? Vós não os vedes?

Maria Helena Amaro
Concurso Pedro Homem de Melo
1985 

domingo, 22 de setembro de 2013

Vindimas



(Fotografia de António Sequeira)



Na vinha
ao romper da aurora
Corta, corta, corta a-i-ô
Vindimam por aí fora
Corta, corta, corta ai ô

E na vinha e no lagar
ouve-se o mesmo cantar
Corta, corta, corta ai ô

Levando cestos pesados
upa, upa, upa ai -ô
Os homens lá vão cansados
upa, upa, upa ai ô

E na vinha e no lagar
ouve-se o mesmo cantar
upa, upa, upa ai-ô

No lagar atarefados
Pisa, pisa, pisa ai-ô
de calças arregaçadas
pisa, pisa pisa ai-ô

E na vinha e no lagar
ouve-se o mesmo cantar
pisa, pisa, pisa ai-ô


Maria Helena Amaro
1983
Escola de S. Lázaro, Braga
Adaptação de uma música popular

sábado, 21 de setembro de 2013

Bodas de Prata (dedicatória)
















(Fotografia de António Sequeira)


O amor foi
aurora florida
que encheu as vossas mãos
de Sol incandescente
(ai como o brilho do vosso olhar não mente!)

O amor é
a certeza serena
da caminhada feita de mãos dadas
num jeito de carícia...
(olha um par de namorados sem malícia!)

O amor será
a promessa radiosa
da apreciar da vida
o doce entardecer
unidos, à janela...

O sol há de ser lua
o ouro será neve
e vós
felizes e em paz
na esperança singela
de envelhecer à luz da
mesma vela!

Maria Helena Amaro
Outubro, 1984
(Dedicado a um casal amigo)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Ilha


(Fotografia de António Sequeira)

Cada um de nós é uma ilha.
Bate-lhe o mar
o vento...
A solidão é barco
a atracar no cais
em maré de tormento...

Nascem flores
nas encostas vidradas
o sol as beija
o vento as estiolas
a solidão é barco
que as leva ao mar alto
sem esperança de vida...

Cada um de nós é uma ilha
por isso somos um bando de gaivotas
esfomeadas
tentando angariar
um gão de paz
em searas alheias...

Cada um de nós é uma ilha...
Se não fizermos pontes
cada um de nós irá morrer
como morrem nas encostas vidradas
flores secas que não sabem boiar!

Maria Helena Amaro
Outubro, 1984
Concurso Jovens Poetas