Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

domingo, 15 de setembro de 2013

Saudade (Concurso Jovens Poetas)
















(Fotografia de António Sequeira)

Ter saudades,
mata-las
enterra-las
(em vão!)
e dizer aos outros
que não... que não... que não...

Ter alma
fecha-la
tapa-la
rasga-la
(em vão!)
e dizer aos outros
que não... que não... que não...

Maria Helena Amaro
outubro, 1983
 
Concurso Jovens Poetas


sábado, 14 de setembro de 2013

A casa do citadino


(Fotografia de António Sequeira)

Moro muito cá no cimo
No cimo dum 6º andar
Meus olhos são andorinhas
Se à janela vão olhar...

Pintas negras, são os homens
Pintas brancas, as mulheres
Ruas, jardins e meninos
São ramos de malmequeres...

Cá no cimo, cá no cimo
Ninguém me pode agarrar
Moro perto das estrelas
No meu alto sexto andar!...

Maria Helena Amaro
1982

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Canção para dia de anos


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(Fotografia de António Sequeira)

Menina crescida
menina morena
de faces gaiatas
de olhos ciganos
caminha na vida
alegre e serena
de alma suspensa
em doces enganos...

Quando por mim passas
quando p´ra mim ris
-olhos de andorinha
riso - gargalhada!
na sombra da rua
da vida feliz
és a Primavera toda rendilhada.

Estrelas te guiem
os céus te protejam
as aves azuis
encham teus espaços
que eu fico sonhando
rezando baixinho:
menina crescida
nunca serás só...
Por muito que cresças
sempre caberás
com todo o carinho
nos braços da avó!

Maria Helena Amaro
maio, 1976

domingo, 8 de setembro de 2013

Dia da Mãe (1981)


(Fotografia de António Sequeira)

Mãe,
hoje, eu queria ser uma andorinha
e ir roubar ao Céu
um pedaço de nuvem
para enfeitar teu rosto...
Eu queria ser uma gota de orvalho
e transformar-me toda
em joia preciosa
para enfeitar teus olhos...
Eu queria ter um punhado de estrelas,
fazer dele um ramo cintilante
e coloca-lo nas tuas mãos vazias...

Mas, sou uma criança,
e, vou fazer como todos os dias:
vou dar-te, minha Mãe,
as minhas traquinices,
os meus desgostos,
as minhas alegrias.
E vou dizer-te,
com carinho profundo:

Minha Mãe,
tu és, para mim,
a mais linda flor
dos jardins deste mundo!


Maria Helena Amaro
24 de maio de 1981 

sábado, 7 de setembro de 2013

Entrevista




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Falam-me de Deus... creio.
Falam-me de flores... gosto.
Falam-me de espaços voo.
Falam-me de paz... Amo.
Falam-me de dor... sofro.
Falam-me de verdade.. canto.
Falam-me de luz... pinto.
Falam-me de castigo... choro.
Falam-me de amor... sonho.
Falam-me de crianças...
Vivo!!!

Maria Helena Amaro
Maio,1976
Publicado no jornal da Casa do Professor.



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Cantiga (para a Maria)


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Coração de vidro trazes
pendurado no teu peito...
Vê lá o mal que lhe fazes
balouçando, assim, sem jeito...

Coração de vidro fino
num constante baloiçar...
Ainda tão pequenino
e já sujeito a quebrar!

Não gosto de ver brincar
com os corações por gosto...
Se o vais estilhaçar
imagina que desgosto!

Também trouxe um coração
pendurado no meu peito...
Agora, vejo-o no chão
em mil pedaços desfeito...

Bem gostava de o ter
de novo no meu pescoço...
Mas quem mo partiu não quer...
E eu sozinho não posso!

Coração, nunca tocado,
deve andar sempre escondido.
Não o tragas pendurado
no decote do vestido.

Quis mostrar, o meu à vida
e a vida mostrou-me a dor...
Alma de negro vestida,
num coração sem Amor!

Maria Helena Amaro
setembro, 1975

domingo, 1 de setembro de 2013

Epitáfio


















(Ilustração de Maria Helena Amaro)



Eu quero morrer cantando
junto de um rio correndo
água que vai afogando
esta dor que vai crescendo...

Eu quero morrer cantando
junto de um cato florindo
espinhos que vão sangrando
coração que vai abrindo...

Eu quero morrer cantando
junto de uma cruz erguida
luz que se vai apagando
morte que à vida dá Vida!


Maria Helena Amaro
9/06/1975