Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

domingo, 7 de outubro de 2012

Momentos II


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Passaram vinte anos
e a flor não murchou,
ficou metida numa jarra de Esperança
pousada num papel,
onde alguém escrevera
um texto de louvor...

Vinte anos longos
a semear Amor!


Onde guardaram as arcas do Saber?
Onde meteram as tábuas da lei,
as leis justas e certas?
Onde estão as vozes,
onde estão os senhores
que não respeitam Escolas/Professores,
e posições corretas?
Vou pelas ruas
e leio jornais
escuto alunos
e desatos tais,
que não devo calar o Desencanto!

Vejo esfarrapada a palavra Fazer...
Vejo arruinada a tal Escola/Encanto...
Vejo insultado o nome do Saber...
Um grito e um protesto em cada canto!

Que te fizeram professor?
Que te fizeram?
Que em todo o lado
só ouço o teu clamor?

Não desanimes Professor,
não desanimes,
faz da sala de aula a tua liça
de facho aceso em nome da justiça
sem medo, sem peias, sem enredo.
E dessa tua luta
não guardes segredo!
Senão,
como há vinte anos,
terei de voltar
a colocar
na tua secretária
apenas uma flor!


Maria Helena Amaro
Inédito, 8 de novembro de 2008.

sábado, 6 de outubro de 2012

Mensagem IV
















(Fotografia de António Sequeira)


Quando morrer
hei de pedir a Deus
p´ra voltar a nascer...

Se for flor hei de ser violeta.
Se for ave, hei de ser andorinha.
Se for insecto, hei de ser borboleta
Se for mamífero serei uma gazela
Se for peixe, eu quero ser enguia
Se for um astro, eu hei de ser cometa
Se for o tempo, eu quero ser o dia
Se for espaço, eu quero ser nuvem
Se for a nuvem, eu quero ser luar
Se for água eu hei de ser o mar
Se for fogo, eu quero ser carvão
Se for a vida
voltar
a ser mulher...
Não!

Maria Helena Amaro
setembro, 1982

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Esposende III














(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Esta é a linda terra onde nasci
e embalei meus sonhos de criança
onde estudei e trabalhei e vivi
tempos antigos de luz e de bonança

Outrora vila, hoje já é cidade,
morena/loira, airosa, sorridente...
Revejo ruas; tanta claridade!
Rostos e nomes... as casas... tanta gente!

Vou na marginal e olho o rio,
bate em meu rosto um vento leve e frio,
vejo as gaivotas suspensas sobre o mar

Desliza o carro na estrada cinzenta
esvai-se o sol na tarde pardacenta
quem chega, fica; quem parte quer voltar!

Maria Helena Amaro
outubro de 2008
Poema publicado no Jornal "Diário do Minho", ?.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

As terras de minha gente


(Fotografia de António Sequeira)

Dai-me mais tempo, para cantar os meus
os que viveram cá antes de mim
antes que escute a chamada de Deus
e tome ansiosa o caminho do fim

Dai-me mais tempo para cantar antanho                    
que construíram casas e grandeza,
lavraram terras e guardaram rebanho
fugindo à peste, à guerra e à tristeza.

Crianças, homens, mulheres e mocetões
viveram risos, sonhos, ilusões
em caminhada dura, duro chão.


São os rostos, os nomes, as imagens
que fazem deste livro  as passagens
de uma família que não viveu em vão.

Maria Helena Amaro
Inédito, outubro de 2008.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Refúgio

(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Deixem-na só
com os seus segredos
medos
enredos
"tardes" e "cedos"
os olhos rasos de água
o tremor constante dos seus dedos
a alma toda mágoa
e a certeza
de caminhar nas trevas
à procura
dum buraco seguro
onde possa guardar os seus anelos.

Deixem-na só...
O pior de tudo nesta vida
é construir os sonhos
e perdê-los!

Maria Helena Amaro
Foz de Arouce, agosto 2008.




terça-feira, 2 de outubro de 2012

Poema III

(Fotografia de António Sequeira)


Regresso
à terra onde nasci
no desencanto do tempo que perdi
na sensação de ter
rimado em vão.

Quem me escuta
quem me fala
quem me vê
não sabe
não supõe
e ignora
que de estrelas já não sou senhora
pois
na minha fruição
também perdi
o estro
o violino
e a canção.

Maria Helena Amaro
Inédito, maio de 2008.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O Poeta

(Ilustração de Maria Helena Amaro)


O Poeta é sonhador
Sonha por tudo e por nada...
Do sol, faz dia de chuva,
do dia, noite estrelada.

O Poeta é sonhador
por estradas palmilhadas.
Canta como o trovador
canções tão mal musicadas.

O Poeta é sonhador
a terra pinta de azul
e o céu pinta de terra...

Pobre de ti sonhador!
Tanto canta! Tanto erra!

Maria Helena Amaro
Inédito, abril de 2008